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Os Valores do Nacionalismo e Patriotismo para uma Angola Moderna              

           

                       

HOMENAGEM                               

95 ANOS DO NACIONALISTA MENDES DE CARVALHO 60 ANOS DO PROCESSO DOS 50             

           

ICOLO E BENGO (Kimbundo:“mu ikolo ya nbengo” que significa vale largo e extenso)      

      

 A emergência da civilização africana é contemporânea da afirmação das cidades - estado Sumérias (Mesopotâmia do Sul), constituindo ambas oberço do governo organizado, com estados administrativos;

 Desde o séc X, paralelamente quando os povos europeus ainda se digladiavam para a criação dos seus reinos ou estados territoriais, também em África, nomeadamente, em Angola se forjavam os primeiros reinos (Kongo, Ndongo ou Ngola) já instituídos e organizados a data (sec. XV) da chegada dos portugueses.

           

 A Historia dos povos desta região remota desde antes do aparecimento dos Portugueses em Angola não entanto registos conhecidos à data indicam vestígios de uma sociedade organizada em meados do Sec. XVII (1668) com o aparecimento de frades Capuchinhos com a vinda de Paulo Dias de Novais.

 A transferência do Concelho sede de Cabiri para Catete aconteceu em Outubro de 1921 portanto ha 98 anos. Catete que deriva do Kimbundo significa passarinho ou pássaro alegre. Icolo e Bengo que na sua forma mais correcta pronunciado em Kimbundo “mu ikolo ya nbengo” que significa vale largo e extenso.

 

 A maioria da população do município de Icolo e Bengo configura o complexo sócio-cultural Ambundu. São locutores do Kimbundu, característica que partilham com os seus parentes mais próximos que habitam outros espaços mais precisamente nos limites que conformam por exemplo as províncias do Kwanza-Norte, Kwanza Sul, com as quais faz fronteira.

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 Tem 3.818 km² e população estimada que habita no munícipio está abaixo de 200,000 pessoas, sendo 39% Homens e 61% Mulheres;

           

MAPA DE ICOLO E BENGO        

           

   

           

 FRONTEIRAS:NORTE - Rio Bengo com acesso as actividades pesqueiras, agrícolas e industrial;SUL -   Rio Kwanza com acesso a navegação, actividades agro-pecuária, agrícolas e industrial;LESTE – Província do Kuanza Norte (Cambambe) acesso a fonte de energia e rede de transporte por via da estrada Nacional;OESTE – Luanda (Cacuaco e Viana) acesso ao centro politico e económico de Angola;

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 O município de Ícolo e Bengo está subdividido em cinco comunas: Bom Jesus, Cabiri, Cassoneca, Caculo Cahango e Catete.O munícipio do Icolo e Bengo dispõe de 78 povoações e 27 aldeias na periferia da sede.

 

ESTRUTURA ECONÓMICA

 

 A estrutura económica da região é marcada essencialmente pelas industrias de transformação, indústria extractiva, Construção civil, Agricultura, Pesca, Comercio, hotelaria, turismo, transportes e serviços.  

 Índice de desemprego é muito elevado abeirando os 50%.

 O controle das empresas que operam em Icolo e Bengo é muito deficiente, não se conhecem registos específicos e actualizados das empresas que operam na região, no entanto, avalia-se em mais de 3 centenas o número de operadores económicos na região.

 Nalguns casos, principalmente na indústria extractiva, construção civil e transformação há relatos de casos graves de poluição do ambiente.

 

RECURSOS HÍDRICOS 

 O Icolo e Bengo é particularmente rico em Água. O município tem muitos Rios, lagos, lagoas e cacimbas fazem dela uma potencial fonte de recursos hídricos. Uma visita a norte, sul ou leste permite testemunhar o enorme potencial subaproveitado e que se perde desaguando nas praias de Cacuaco, em Luanda, e na Barra do Dande. Cabo Ledo, Bom Jesus, com o Kwanza a serpentear toda aquela região. No total são dois Rios; Bengo e Kwanza e são mais de 50 lagoas: Kilunda, Lalama, Fruto, Lumango, Cabemba, Kauigia, Wenza, Toa, Cagia, etc. Por esta via Icolo e Bengo mostra-se apta para um desenvolvimento integrado.


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AGRICULTURA, PESCA E COMÉRCIO

           

 Os Habitantes do município do Icolo e Bengo praticam a agricultura de subsistência que se praticam em várias localidades hidrológicas com extensões que lhes permite o uso de máquinas simples  para o progresso das sua actividades quotidianas. Dentre os variados tipos de produtos, se destacam a mandioca, a batata doce, o feijão,  o amendoim, hortícolas,       gergelim, etc. Criando deste modo possibilidades de autossuficiência alimentar como também o abastecimento dos seus produtos         do campo à cidade de Luanda. A Pesca é fluentemente praticada nas lagoas de Lalama, Mihinge, Lagos de Cassefo, Rio Zenza  e Kwanza. Delas encontramos o pescado do Cacusso, Bagre e Seguilhão,etc.

 Produção principal: agrícolas - algodão, mandioca, palmeiras, banana, Rícino, feijão, goiaba, mamão, cana-do-açúcar, sisal, mamoeiro, goiabeira, ananás, café robusta, massambala, palmeira de dendém, hortícolas e Citrinos.

 As principais referências industriais são o algodão e café.

 Pecuária: Bonivicultura de Carne.

 Pesca: artesanal nos Municípios de Ambriz, Dande e Kissama. Nas mesmas áreas e incluindo o Município de Icolo e Bengo, regista-se a pesca nas zonas lacustres e nos diversos rios aí existentes.

 

 Beneficiando de uma costa favorável, a pesca é praticada nas pequenas ínsulas dos rios Bengo e Ndanji, cuja espécie mais procurada é o Kakusso. Com esta espécie produz-se um prato que já se tornou referência na gastronomia angolana acompanhado do feijão de óleo de palma. A pesca marítima é assinalada positivamente sobretudo na área do Ambriz onde os crustáceos como (camarão e lagosta) são recursos piscatórios que contribuem na promoção de receitas na balança de exportações. Como recursos minerais, de referir, caulino, gesso, asfalto, calcá rio, quartzo, ferro, felds-pato e mica.


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INDÚSTRIA

 

 A industria artesal já produziu e exportou para Luanda açúcar, aguardente e cal, tecidos de algodão, vassouras, esteiras, luandos, cestos e, há quem ampare, até Libongos (moeda usada em Angola). Desde os tempos idos que a região mostrou um vasto potencial e viveiro de Mafumeira para construção de embarcações indígenas e óptima madeira para fabricação de n´dongos e pirogas usadas na pesca e pequenos transportes fluviais.

 Materiais de Construção, minerais - caulino, gesso, asfalto, calcário, quartzo, ferro, feldspato, enxofre, mica; 

 

 

 Minérios: Urânio, Quartzo, Feldspato, Gesso, Enxofre, Caulino, Asfalto, Calcário-Dolomite, Ferro e Mica. Fala-se num potencial elevado de Terras raras que são minerais esquisitos para industria electrónica e aeroespacial. 

 Sem esquecer que no passado já se explorou petróleo em pequenas quantidades nas zonas de Cacefo e Macesso (Galinda passagem em linha com a Barra do kwanza)

              

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FUNDAÇÃO UANHENGA XITU   

(Informação de caracter geral) 

           

1. A fundação Uanhenga Xitu foi certificada na loja de registo em Luanda (Maio de 2016). 

Tendo sido lançadas as primeiras sementes em 2008.              

Os fins da Fundação são culturais, educativos, artísticos sociais e filantrópicos. 

No âmbito de acções que visam a realização dos seus fins a Fundação, propõe-se nomeadamente                    

a)  Apoiar, estimular e desenvolver as iniciativas e acções que visam a difusão, preservação e desenvolvimento da cultura angolana, em especial a literatura, de outras manifestações artísticas e das ciências sociais e humanas;       

b)  Apoiar o surgimento de novos autores de língua portuguesa e dos nacionais de Angola;          

c) Divulgar e promover o estudo das obras literárias que contribuem para a preservação e desenvolvimento da cultura nacional, em especial as de autores angolanos, outros  africanos e do espaço lusófono, observando e respeitando os princípios éticos e morais dos seus autores e da Fundação, bem como os fins desta; 

d) Promover e estimular intercâmbios entre as diversas literaturas nacionais que se expressam nas várias  línguas            de        Angola

e) Apoiar a recolha  e a realização de estudos sobre as diversas literaturas orais angolanas;     

f)  Promover o conhecimento e a divulgação em Angola e no estrangeiro, das diversas culturas que conformam a identidade angolana;       

g)  Incentivar o desenvolvimento e promover o apoio a Cátedras Universitárias sobre obras de autores angolanos;     

h) Contribuir para perpetuar a memória de autores de obras de arte identificados com a causa da cultura angolana,   nomeadamente colaborando no conhecimento e estudo da sua obra em Angola e no estrangeiro;   

i)  Promover  estudos  ensaísticos  de Ciências Sociais e Humanas, nomeadamente;        

j)   Apoiar a divulgação em Angola e no estrangeiro de ensaios em Ciências Sociais e Humanas que promovam um       conhecimento mais profundo da realidade angolana;      

 

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k)   Promover e apoiar a realização de conferências, colóquios e outras iniciativas similares sobre obras que valorizem a          cultura angolana;       

l)    Organizar, desenvolver e promover, na sede da Fundação, a biblioteca e o arquivo de elementos que retratam a vida     e obrado seu patrono;         

m)  Promover actividades inerentes aos fins da Fundação que sirvam de apoio a grupos sociais desfavorecidos;         

n)   Incentivar e apoiar iniciativas de dimensão humana que contribuam para a realização e satisfação do cidadão           angolano;       

o)      Contribuir, em  geral, para o desenvolvimento socioeconómico das populações mais desfavorecidas de Angola.          


2. Os órgãos sociais da Fundação comportam um órgão de natureza consultiva e auxiliar da gestão de órgãos de        administração e fiscalização que são os seguintes:      

a)  Conselho de Curadores;     

b)   Conselho de Administração;          

c)   Conselho Fiscal; 

d)   Conselho de Amigos.          

           

Breves linhas sobre a trajectória Pessoal, Social e Política de Uanhega Xitu (Agostinho André Mendes de Carvalho)

 

1. INFÂNCIA E JUVENTUDE

 

Uanhenga Xitu, registado na administração colonial portuguesa como Agostinho André Mendes de Carvalho, Filho de André Gaspar Mendes de Carvalho e de Luísa Miguel Fernandes, nasceu a 29 de Agosto de 1924 na aldeia de Nganga Zuze, comuna de Calomboloca, povoação ou Sanzala de Cassoneca, a 80km do centro de Luanda. O pai era taberneiro e agricultor e a mãe camponesa. Aprendeu abecedário e tudo que tem a ver com o primeiro contacto no domínio da escrita através do seu pai. Cresceu na sua sanzala natal onde partilhou todo os actos e preceitos


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Da infância e juventude, de acordo com os usos e costumes locais. Passou pela “casa da circuncisão” com o rigor que o ritual impõe – a autêntica escola de civismo, de emancipação e com uma disciplina “espartana”.

 A curiosidade que o seu nome desperta, ajuda a compreender a sua personalidade e sentido que teve a sua vida “Uanhenga xitu ku mu nja u mundo” significa “ele levou a carne e passa pela cidade fora, ninguém gosta deste homem, porque ele vai comer sozinho”.

Metaforicamente, Uanhenga Xitu traduz-se por “o poder é odiado”.

Concluiu os estudos primários, secundários e decidiu formar-se como enfermeiro, profissão que exerceu durante anos. Foi nesta condição que percorreu o país e tomou contacto directo com as sevícias da máquina colonial. Daí resultou uma tomada de consciência virada para os ideais do patriotismo e nacionalismo que mais tarde o conduziriam à prisão em 1959, integrando o “Processo dos Cinquenta”. Da Casa de Reclusão de Luanda, Uanhenga Xitu foi deportado em 1962 para o Tarrafal, na Ilha Cabo-Verdiana de Santiago, tendo sido libertado em 1970.

 

2. ACTIVIDADE POLÍTICA 


Para iludir a polícia portuguesa como artifício criou grupos recreativos nos bairros suburbanos de Luanda. É o próprio Uanhenga Xitu que narra o ambiente daqueles tempos: “Em 1946 é bem conhecida a desconfiança que a muito reinava entre os            assimilados e os indígenas bem como a indiferença e vaidade que ostentavam os estudantes saídos a pouco  do Liceu que      desprezavam os operários e camponeses. A título de  exemplo na véspera do embarque do doutor António Agostinho Neto para Portugal dizia-se que seria mais um que iria cursar para não ligar os pretos. Propôs-se um teste: convidar o camarada Neto  para um lanche no musseque com os operários que faziam parte   do clube recreativo. Se aceitasse era dos nossos e se recusasse não valia apena contar com ele. Muitos duvidaram que aparecesse no entanto esteve presente e lanchou na        casa coberta de luandos no antigo Km7 onde a velha Cambuta que vendia sarrabulho diante de um candeeiro de lata.     Primeiro tomou a palavra o Adriano Sebastião e por último o Camarada Neto cujo tema por ele abordado foi “A união faz       a Força”. Este gesto calou fundo nos naturais do Icolo e Bengo  e não só presentes e assim Neto foi esperado como salvador da   sua região e de Angola”.         

Entre 1950 e 1953 em Sá da Bandeira (Huíla), algumas células clandestinas contactam o Viriato da Cruz e este desenvolveu uma forte actividade política entre os estudantes do Liceu. Esta altura, montou-se uma rede Sá da Bandeira – Moçâmedes – Porto Alexandre para evasão de presos a partir da Baía dos Tigres.

Entre 1954 à 1956, no Bailundo, desenvolveu uma campanha entre os professores e enfermeiros da missão protestante na área do conselho contra a maneira desumana como se processava o angariamento dos contratados. No Mungo, teve como seu braço direito um compatriota de nome Vasco; escreveu cartas alertando a Liga Nacional Africana, (Angola), ao chorado Cónego Manuel das Neves, ao Alberto Lemos (pai). 

Denunciou e travou discussão acalorada com articulista de “Chegou o Enfermeiro...

mas é Preto!” – do Jornal “a Voz do Planalto”. A desconfiança é tanta da por dos comerciantes que intitulam como (instigador dos pretos). Convém  recordar  que quando é preso em 1959, toda  área do Mungo, isto é, da parte da população branca comentaram que: “não se esperava outra coisa...” 

Estabeleceu com mais oito companheiro o clube “Espalha Brasas” que de recreativo só tinha o nome, eram no fundo um núcleo da rebelião em Angola todos eles seria depois presos no célebre “Processo dos 50”. 


Em 1958, quando fundou o grupo dos Enfermeiros, integravam os seguintes companheiros: Garcia Lourenço Vaz Contreiras, João Lopes Teixeira, Lourenço Gamalheiro Gaspar, Adão Domingos Martins, João Filhão da Costa, José Diogo Ventura, Manuel Baptista de Sousa e Manuel Bernardo de Sousa.

 

    Ainda em Dezembro de 1958, partiu para Leopoldvaille (Kinshasa) e Brazzaville viajando no mesmo avião com o herói de África, o Amílcar Cabral que já conhecia através do Cândido Costa e com o qual estava ligado por uma célula clandestina. No aeroporto Ndjili (Léo), informou o motivo da sua viagem ao camarada Amílcar Cabral de quem recebeu palavras animadoras e encorajadoras.

Estando em Léo como em Brazza, contacta vários conterrâneos de diversas regiões de Angola, assistindo, a varias reunião por dia e por noite, acompanhado ora por Armando Ferreira da Conceição ora por Inocêncio Van-Dúnem dos Santos Mingas, e mais angolanos. É recebido por Kazavubu (o primeiro Presidente da República do Zaire), na altura chefe do Movimento (Abaku) e pelos seus colaboradores. Reúne com estudantes da Universidade de Louvain. Nas reuniões entre angolanos tenta desfazer as contradições tribais e regionais existente entre os Mazombos, Maquelas, Caluandas e os do Sul de Angola, batendo na tecla da Unidade Angolana.

Em Brazza, contacta o Abade Yolow e o Ministro Txetxele para uma entrevista que não se realiza, porque informado fora que o Abade era lacaio dos franceses e tudo que ele tratasse, de certeza, cairia nos ouvidos dos portugueses. Informou aos congoleses e zairenses bem como os organizadores da revista “Presença Africana” sobre os acontecimentos ocorrido na fazenda experimental do Bengo.   

Como membro do Movimento de Libertação Nacional (MLN) este, tinha duas alas sendo uma delas designada exército de Libertação Nacional (ELA) onde pertencia também os nacionalistas Noé da Silva Saúde, Deolinda Rodrigues de Almeida entre outros. Uahenga Xitu

pertencia ao grupo “Espalha Brasas”

Foi preso pela PIDE em 29 de março de 1959 e transferido para o campo de concentração de Tarrafal (Cabo Verde) onde permaneceu de 1962 a 1970 como já foi dito.

 

Em 1960 a contestação apresentada no julgamento do Tribunal Militar Territorial de Angola é um documento digno de atenção. O documento tem importância por ter sido apresentado num tempo agitadíssimo e num espaço demasiado curto. Este, mais os apresentados pelos companheiros de luta, entre eles Manuel Bernardo de Sousa, Pascoal Gomes de Carvalho, Vasco Contreiras, Noé de Silva Saúde, Nobre Dias, criaram situações embaraçosas aos Jurista e ao Governo Português em Angola. Também dividiu a opinião dos presos e cria animosidade entre as famílias dos mesmos. 

Nos 1960/61 Convida os padres para se pronunciarem antes e depois do julgamento.

O Cónego Franklin mais um grupo de padre que o visitam na cadeia e apoiam a sua atitude. Dirige uma carta aos angolanos, para definirem-se politicamente.

 

1962 no mês de Fevereiro, foi transferido para a prisão do campo de concentração de Chão Bom, Tarrafal, Cabo-Verde. Com mais companheiros cria a rede clandestina conhecida por “Subterrâneo da Liberdade”.  

É libertado da cadeia do campo de concentração no Tarrafal em 1970

 

No dia 24/05/1974 profere no campo da Liga Nacional Africana o seu primeiro discurso público na presença de cerca de dez mil espectadores. É ovacionado e levado aos ombros dando voltas ao recinto.

Neste ano segue para Brazzaville, contacta o camarada Lucio Lara e com outros membros da Direcção do MPLA pedindo autorização a mediar o conflito entre a Revolta Activa e a direcção do MPLA de Agostinho Neto.

É assim nomeado para as seguintes funções: 

-   Membro da Cruz Vermelha de Angola.

-   Membro da Comissão Administrativa dos Serviços de Saúde de Angola.

-   Eleito Presidente do Comité 4 de Fevereiro.

-   Membro da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Luanda.

-   Eleito membro da Comissão do Sindicato de enfermagem de Angola.

 

Em 1975 por ocasião dos Acordos de Alvor acompanha a delegação do MPLA chefiada pelo camarada presidente Agostinho Neto à Penina, nas negociações com o governo português.

 

3. Literatura e Política

 

Uanhenga Xitu, iniciou a sua carreira como escritor em 1954 com 50 anos de idade. Dirse-ia que toda sua vida foi um acumular de experiencias e vivências para que de alguma forma fossem um dia transportados para o grande ecrã mediante o texto bem elaborado. Notamos a condensação fruto da maturidade e das conversas que teve com os mais velhos para além da investigação criteriosa de aspectos particulares e místicos das culturas endógenas quer seja ambudos, ovinmbundos, kicongo ou outras.

No seu traço distintivo é relevante o rigor da escrita em texto soberbos como manana (1974), Bola Com Feitiço (1974), Mestre Tamoda (1974), Vozes na Sanzala-Kahitu (1976) Mestre Tamoda e outros contos (1977), Maka na Sanzala-Mafuta (1979) e os Discursos do Mestre Tamoda (1984). 

 

Outro traço distintivo são as abordagem de carácter político que podemos encontrar nos livros Os Sobrevivente da Máquina Colonial Depõem (1980), O Ministro (1990), sendo este obra considerada a de maior pendor político e Cultos Espécies (1997) neste último ganha relevo a parte intitulada “Ponto Prévio Senhor Presidente” que bem poderia ser um livro independente.

A propósito do livro Ministro, trata-se de umas das obras mais política da última fase da escrita de pendor político. Revela um cronista do seu tempo embora adverso e ambíguo configurando o texto que pode ser lido como testemunho histórico, reportagem de uma época ou registo autobiográfico.               

 

a) MARCAS DA ORALIDADE

Em relação à questão da oralidade, é curiosa a forma com Uanhenga Xitu avalia o seu perfil como escritor: “Nós, que o nosso liceu foi no arranjo da estrada, carregar sacos, apanhar algodão, rachar lenha e o pagamento bofetada e pontapé no rabo pela máquina colonial, e a universidade foi a cadeia, compreende-se, portanto, que o que mais podemos oferecer aos leitores  são as imagens que recolhemos durante esses anos de observação directa, de facto vividos na sanzala sem nos preocuparmos com rendilhados e o estilo de bom português de filhos de escritores. Sou escritor de Mulala na Mbunda, misturando Português, kimbundo e umbundo”. (in Os Sobreviventes da Máquina Colonial Depõem).

De facto, Uanhenga Xitu pensa em kimbundo, e as notas de esclarecimento e tradução das palavras em kimbundo, no rodapé dos seus livros, indiciam os limites de expressão, em língua portuguesa, para revelar a profundidade cultural do seu pensamento. As marcas de oralidade, em kimbundo, emigram para o texto escrito, de forma natural, no conjunto da obra “Uanhenguiana”. 

Estas marcas revelam-se através de códigos musicais, as canções de roda, “Kaxée” e “Ndolonga”, em “Kahitu”, são dois exemplos, códigos proverbiais, e códigos onomásticos,através dos nomes das personagens dos seus livros, avô Mbengu, velha Kazola, Kalunga, velha Kifila, avô Matudi, Kunda Nzenza, “Kexena”, “Tamoda”, “Mufula”, Saki, entre outros.

 

b) UM DEFENSOR DAS CULTURAS ENDÓGENAS 

Agostinho André Mendes de Carvalho, em situação de reclusão, foi mais propenso a criação de uma literatura com forte enraizamento na sua cultura originária, plasmada nas obras “Bola com feitiço” (1974), “Vozes na Sanzala-Kahitu” (1976), “Mestre Tamoda e outros contos” (1974), “Manana” (1974) e “Maka na sanzala - Mafuta” (1979). Julgamos ter sido a instância cultural na sua personalidade que o leva a tomada de consciência política e, acto contínuo, ao processo dos cinquenta e à consequente situação de desterro no Tarrafal. É curioso notar que o estado solitário de penitência, tê-lo-á levado a um estado de nostalgia, instaurando-se um romantismo, provocado pelas memórias da sua sanzala de proveniência, provocando longos momentos de elevada introspecção, o que terá elevado à categoria de criação literária os valores intrínsecos da sua personalidade cultural.

 

c) O APROVEITAMENTO DA SUA FIGURA PELO CARNAVAL DE LUANDA

A emblemática figura de Uanhenga Xitu, enquanto escritor, foi motivo de homenagem dos Unidos de Caxinde, grupo de carnaval que levou a Marginal, em Fevereiro de 2005, mil e quinhentos foliões que retrataram, em enredo, uma coreografia baseada na vida de Agostinho André Mendes de Carvalho. 

O grupo passou em revista os aspectos que marcaram a carreira do nacionalista, desde a política à literatura, enaltecendo as obras “O Ministro”, “Mestre Tamoda” e “Kahitu”. A canção “O imaginário de Uanhenga Xitu”, da autoria de Manuel de Vitoria Pereira, foi interpretada pelo cantor benguelense Diabick, e usada nas danças varina e semba, apresentadas no desfile central, na Marginal de Luanda.


4.RESENHA DOS CARGOS EXERCIDOS:

1974 -Membro da Comissão Administrativa dos Serviços de Saúde de Angola

1974 -Membro da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Luanda

1975 -Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Luanda

1975 -Coordenador do Departamento da Organização Regional de Luanda do Movimento Popular de Libertação de Angola (Dom/Regional)

1976 -Coordenador do Comité Urbano do Partido do MPLA/PT (CUP)

1977 -Membro do Comité Central do MPLA/PT

1978 -Secretário do Comité Central do MPLA/PT para o sector da Saúde e dos Assuntos Sociais

1978 -Comissário Provincial de Luanda (Governador da Província)

1980 -Ministro da Saúde da República Popular de Angola

1980 -Presidente da Cruz Vermelha de Angola

1981 -Deputado a Assembleia do Povo

1981 -Membro da Comissão (Comissão de Assembleia do Povo) para Saúde, Trabalho,

Segurança Social, Assuntos Sociais e Infância

1981 -Membro dos Escritores Angolanos

1981/3 – Presidente da Assembleia Geral do Clube Progresso do Sambizanga

1984 -Presidente da Comissão Diretiva da União dos Escritores Angolanos

1984 -Embaixador da RPA na Alemanha e na R.P. Polónia

1991 – Presidente da Assembleia Geral do Sporting Clube de Luanda (fundado em Luanda em 1920)

1992-2008 – Deputado Assembleia Nacional 

1996 – Presidente da Liga Nacional Africana (Fundação 1930), foi também membro do conselho da revolução, órgão legislativo que deu lugar a Assembleia do Povo hoje Assembleia Nacional.  

 

Até prova em contrário, foi o deputado do qual mais as populações recorriam para apresentação dos seus problemas e reclamações.


CEMITÉRIO DO KAMUSSUAMI                              

Ao percorrermos a História de Angola, nas suas variadas etapas, encontraremos a figura de Agostinho  André  Mendes  de Carvalho, nacionalista  entre as década de 50 do século  passado e a segunda década do novo milénio.         

È assim que a Fundação Unhenga Xitu e a Família na pretensão de homenagear-lo, nos concedeu a honra  e o previlégio       de  participar na concepção e execução de, “chamemos” um memorial desta ilustre figura, sem esquecer Sabendo          que Mendes de Carvalho sempre esteve ligado  intrínsicamente aos seus ancestrais e a sua contemporâneidade, resolveu-se            igualmente homenagear aqueles que foram dandoa a sua contribuição na luta pela liberdade desde os séculos passados         até aos dias de hoje. Assim projectou-se:             

Logo a entrada deste memorial uma lápide com uma frase celebre do Nacionalista.  

Túmulo, respeitando    a          coincidência   sagrada                      dos      sete     dias     da            criação,           sete     dias     da        semana,          sete     pecados          mortais,          sete     chakras            de        energia           da        nossa   emoção,          as        sete     artes,   com     os                    seus            sete    affeires,          nomeadamente,         enfermeiro,   nacionalista,  escritor,          ministro,            deputado,      comissário      provincial       e,        embaixador. De       igual    modo,  como   corôa   do            túmulo,           resolveu-se     instalar           no        cimo    da        cabeceira        o          busto   do            nacionalista    representando            a          cereja  do        busto.                         

Ladeando        o          memorial                   instalados       estão  três     paineis            de        betão   em            alto      relevo  cujo     teor     do        primeiro,        baseia-se        na        memória         do        povo            angolano         em       particular        aos      guerreiros       da        luta      anti      colonial,            retratando      personagens   nas      cadeias,          onde    sobressai                    a          figura  de            uma     mulher            de        braços abertos           representando            a          Mãe    Angola como               símbolo           de        protecção       de        seus     filhos.  Em       contra ponto,  observamos    em            baixo   uma     cena    de        manisfestação            de        protesto          anti      colonial,            fechando,        no        seu      lado     direito com     uma     placa   com     a          designação     dos            componentes  dos      processo         50        nomeadamente:        

           

           

           

           

           

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Memória    aos      Povos  de        Angola...        

...Guerreiros da        resistência      Colonial         

Processo                50          

               

Primeiro grupo    

Julgamento      no           tribunal  Militar    Territorial             

Nº           do           Processo                inicial     22/59                                                                   Nº           do                Processo                final        41/60    

Julgamento:         Dezembro              1960     

Agostinho                Mendes de           Carvalho               

(Domingos           João...Paulo          Chiembo...Welema)           

António            Pedro     Benge(Ernest       Guendes)             

Fernando   Pascoal  da           Costa      (Luzerna                Pinto      Mendes)              

Sebastião           Gaspar   Domingos             

Garcia       Lourenço              Vaz          Contreiras            

João    Lopes     Teixeira

Belarmono   de           Sabugosa               Van-Dúnem         

Joaquim           de           Figueiredo            (Arnaldo                Goreva)

André    Rodrigues             Mingas   Júnior     (João      da           Costa      Macongo)            

Pascoal  Gomes   de           Carvalho                Júnior     (M’Zambe             Kilumbo)              

Armando           Ferreira da           Conceição             Júnior            Nobre    Ferreira Pereira  Dias       

Noé     da           Silva        Saúde     (Balumuka             Kababa)            Florêncio              Gamaliei                Gaspar  

José    Diogo     Ventura

Adão         Gomes   Domingos/            Adão      Domingos              Martins 

João    Fialho     de           Costa     

Manuel  Baptista  de           Sousa/    Manuel  Costa      da           Silva        Nunes   

Manuel     Bernardo              de           Sousa     José  Manuel  Lisboa   

               

Grupo    dos         não         Presos   

Julgamento à             Revelia   no           Tribunal Militar   Territorial            

Nº           Processo                da           PIDE:      41/60                                    /                                            Julgamento          Dezembro             1960     

Ferreira

Georgr               Barnett  (EUA)     

Manuel       Tomás    da           Costa      (Costa     NkodoKimpipiololo)           

João    Eduardo Pinok     

António             Jabes      Josias     

Manuel              Barros    Necaca  

Holden               Roberto

António        Jacinto  do           Amaral  Martins

Deolinda          Rodrigues             Francisco              de           Almeida

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Inocêncio   Van-Dúnem          dos         Santos   

Jorge  Mingas  

Mário Pinto      de           Andrade               

Viriato                Francisco              Clemente              da            Cruz        Matias    Miguéis 

               

Segundo                Grupo                   

Julgamento       no           Tribunal Militar   Territorial            

Nº              Proceso  inicial     40/59                                    Nº           Processo                final        34/60   

Julgamento          Dezembro             1960     

Ilídio           Tomé      Alves      Machado    André    Franco   de           Sousa    

Higino Aires      Alves      de           Sousa    

Francisco    Javier     Hernandez                           (Cuba)   

Carlos Aniceto  Vieia       Dias       

Carlos     Alberto  Pereira  dos                         Santos    Van-Dúnem         

Francisco José        Pereira  Africano               

Luiz     Rafael    

Amadeu           Timóteo Malheiros             de           Amorim

Mário         António Soares    de           Campos 

Mário Augusto da           Silva       

António             Marques               Monteiro             

Miguel    de           Oliveira  Fernandes           

Manuel              Alves      da           Cruz       

Gabriel      Francisco              Leitão     Pereira 

Eduardo             Correia  Mendes

Laurence           Hoder    (EUA)     

Karl     ou           Korle      Dogbe    (Ghana) 

               

Terceiro                 Grupo   

Nº           Processo                inicial                     47           /              59                                                                         Nº           Processo                final        45           /              60          

Eng.   António Alexandre             Calanzans              Duarte  

José   Luciano  Corte      Real        VieiraMeireles    

Arq.   António Guilheme              de           Matos     Veloso   

Emanuel            dos         Santos    Júnior    

António     José        Contreiras             da           Costa     

Helder      Guilherme            Ferreira Neto      

Dra.                Maria     Julieta    Guimarâes            Gandra  

José        Vieira     Mateus  da           Graça     (Luandino             Vieira)   

               

Desterrados no Tarrafal sem Julgamento

Presos por Despacho à Revelia dos Tribunais

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

(com ligações a UNITA)

Eduardo Jonatão Chingungi

César da Silva Teixeira

Afanso Figueira

Eduardo Sá Mourada da Cruz Pedro Chimbinda Gonçalo

João José ou João José Cauaua

Felisberto Congo Bernardo

Manuel Chitongi

Mário Sanda 

César Pedro Calicacue

Lote Sachicuenda

Joel Pessoa

Tiago Pedro 

Evaristo Armando

João Vessoca

Aurélio Garcia

Abraão Cachumbo  ou  Artur Menezes Chinguli

 

Desterrados no Tarrafal sem Julgamento

Presos por Despacho à Revelia dos Tribunais

(Com ligações ao MPLA)

 

Manuel Pedro Pacavira

Armindo Augusto Fortes

António Cardoso

 

Desterrados no Tarrafal sem Julgamento

Presos por Despacho à Revelia dos Tribunais

(Estudantes)

 

Alberto Correia Neto

Alcino de Carvalho Borges

Aldemiro Justino de Aguiar Vaz da Conceição

André Martins Neto

Augusto Bengue

Bernardo Lopes Teixeira

Eduardo Artur Santana Valentim

Francisco Caetano

Gilberto António Saraiva de Carvalho

Jaime Gaspar Cohen

Justino Feltro da Costa Pinto de Andrade

Paiva Domingos da Silva

Tito Armando dos Santos

Vicente José da Costa Pinto de Andrade

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

 

 

 

O         segundo          painél, também          em       alto      relevo, representa      figuras a          serem            brutalmente   maltradas       e          assassinadas,  espelhando     expressões      de        angústia          e            terror, fruto    da        repressão        colonial           perpretadas    por      executantes    de        índole            civil     e          militar,            sivícias,           que      perduraram    durante           séculos.                       Pertence         ainda   á          este     painel  uma     placa   com     a          designação     de        Memória            aos      povos   de        Angola...         ,           Mártires         e          Guerreiros      da        resistência            anti-colonial,  onde    estão   espelhadas      entre   elas     as        revoltas           de:      

1590/1600      -           Revolta           da        Coligação       Kissama          Dembos            Matamba       e          Kongo

Contra a          ocupação        colonial          

1625/1656      –          Revolta           da        Coligação       dos      Luvales           e          Planalto         Central           

Contra a          ocupação        colonial          

1665    –                      Batalha           D’Ambuila     

Contra a          Ocupação       Colonial         

Líder    –          Vita     ya        Nkanga           (Dom   António           I)         

1897/98          –          Revolta           Humbe          

Contra a          ocupação        colonial           e          relação           com     a          Epedemia       do        Gado  

1901/1902      –          Revolta           Ovimbundo  

Contra o          trabalho          forçado          

Líder    –          Mutu-ya-Kevela         

1908          –                      Revolta           dos      Dembos         Contra o          trabalho      forçado           Líder    –          Kazuangongo     

1913    –                      Revolta           Bakongo        

Contra a          exportação     de        contratados    para    S.         Tomé  

Líder    –          Tulante           Buta   

1915/1917      –          Batalha           de        Môngua         e          Mufilo

Contra a          ocupação        colonial          

Líder    –          Mandume       ya        Ndemufayo    

1917    –                      Revolta           do       Amboim        

Contra a          expropriação  de        terras, impostos         e          trabalho          forçado          

1922    –                      Revolta           do       Imposto          do       Algodão        

Contra o          imposto           de        Algodão         

1925 –             Revolta           do       Ambriz           

Contra a          escravatura    clandestina,    imposto           e          trabalho          forçado          

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

1926 –             Revolta           do       Imposto          da        Palhota         

Contra o          imposto           da        palhota           e          do        algodão          

1940/1948      –          Revolta           do       Cubal 

Contra a          expropriação  de        gado   

1961    –          Baixa   de        Kassanje         4          de        janeiro           

Contra o          jugo     colonial          

1961    –          Revolta           de        4          de        Fevereiro       

Contra o          jugo     colonial          

1961-  Revolta                      de        15        de           MarçoContra o          jugo     colonial          

...        

O         último painel  com     a          mesma            técnica            está     exposto           ao        centro,            com     o          formato          de        um       ovo      quebrado        emergindo      do        seu      interior            a          bandeira         nacional          com     os        seus     elementos,      catana,            estrela e            roda    dentada,         como   símbolo           de        criação,           ou        seja,    criação            da            República        de        Angola.           Cortando         o          painél, encontramos  uma     linha    semi            círcular           representando            o          sol       naceste           “aurora”         dividindo         as            duas    cores   da        bandeira.        Consubstanciando      a          criação            da        república            está     o          ser       humano          representando            com     uma     figura  em       estado de            exaltação        com     uma     folha    de        papel   na        mão     como   exprimindo     o,         Viva     a            Independência            que      subrassai         ao        cimo    do        painel, e          uma     placa   do            lado     direito memurando    e          homenageando          os        povos   de        Angola e          seus            reinos, designadamente:                  

Reino  do       Kongo

Nimi-a-Lukeni (D.       Álvaro I)          e          Vita     ya        Nkanga           (D.       António           I)         

Reino  Kassanje        

Rei       Kassanje         

Reino  Kwanyama    

Mandumbe     ya        Ndemufayo    

Reino  Lunda Tshokwe         “Cokwe”        

Muatshisengue          

Reino  da        Matamba      

Nzinga Mandi

Reino  do       Mbalundu      (Bailundo)     

Katiavala,        Ekuiki  II          e          Mutu   ya        Kevela

Reino  do       Ndongo         

Ngola  Kiluange          kia       Samba

           

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

           

Este     memorial        está     ainda   reheado          de        um       desfile longitudinal    de       8          mastros            de        mãos   entrelaçadas,  representando            inúmeros        angolanos,      erguendo            intercaladamente      um       punho  cerrado           como   sinónimo         da        luta      do        povo            angolano,        e          um       facho   como   símblo da        iluminação      desta   luta,     culminando            com     o          vê        de        Victória.         

        

        

        

VIVA A       INDEPENDÊNCIA        

                       

           

Ficha  Técnica        

           

Ecos        D’Arte   

EQUIPE   TÉCNICA

Álvaro    Cardoso –             Artista    Plástico                 

Concepção,           Maquetização      e              Direcção

António Toko       Mbozo   –             Escultor

Maketização         e              Execução               de           Painés   

Luis         Barbosa de          Mascarenhas        –             Contrutor              Civil       

Estruturas              e              materiais              

Fernando              A.            O.            da          Vinha     –             Prof        e                             Escultor

Busto     

                Agradecimentos  a              gentileza               dos                         COLABORADORES              

António  Fonseca

Elvira      Jorge     

Filipe      M.B.        de           Macarenhas        

Felisberto              Manuel  da           Costa      “              Kjinbangala”                        

Grupo     Ferreira &             Esteves  Lda         Cerâmica               Sociatal, Lda         -              Catete   

           

           

           

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

TARRAFAL             

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

ORADORES DURANTE    O         COLÓQUIO 

           

AMADEU           AMORIM                

INFORMAÇÃO POLÍTICA: MEMBRO DO PROCESSO DOS 50

Por volta dos anos 40/50, despertei para a vida social que me rodeava, dando- me conta da pressão colonial na vida dos angolanos, assim como: As rusgas, o pagamento do imposto indígena, a separação entre indígenas e assimilados, a obrigatoriedade de possuir modos e costumes portugueses para obter Bilhete de Identidade, documento que em principio facilitava o direito a emprego nas repartições públicas. O desajuste social entre angolanos e portugueses, as expropriações das terras, a vivência nos muceques, etc. levou- me juntamente com outros jovens da época a analisar com maior profundidade os problemas de Angola.

 

Também por razões políticas pertenci ao Ngola Ritmo, grupo musical, que através de suas canções tentou consciencializar, angolanizar, preservar a nossa cultura, enfim dizer não a ocupação.

Foi nessa época conturbada que entrei para o M. I . A ( Movimento para a Independência de Angola ) dirigido por Ilídio Tomé Alves Machado e do qual faziam parte Higino Aires, André Franco de Sousa, Carlos Alberto Van-Dúnen, Liceu Vieira Dias, Luís Rafael, Mário Soares de Campos, Vicente Gomes, António Marques Monteiro, Catuto, Africano de Carvalho etc. Grupo que a mistura com o PLUA, MINA e outros deram origem ao actual MPLA.

Preso pela PIDE (Polícia Internacional de Defesa do Estado) em julho de 1959, sofri as agruras das várias formas de tortura, das quais ressalto a célebre Estátua.

Ao conjunto dos 4 Processos crime instituídos sob o signo da separação de Angola da mãe Pátria, a que Joaquim Pinto de Andrade denunciou no exterior o que se estava passando e Mário Pinto de Andrade publicou, ficou na história de Angola como o “Processo dos 50 “. Nessa base fui julgado e condenado por um Tribunal Militar e deportado para a prisão do Tarrafal na ilha de Santiago, Cabo Verde.

Regressado a Angola sob a obrigação de me apresentar quinzenalmente à Pide, fui ludibriando a polícia dando contributo às várias Células que, entretanto, se estavam a organizar. 

 

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Paralelamente a isso, e enquadrado numa dessas Células, coube-me angariar fundos, medicamentos, luvas, roupas, óculos para os guerrilheiros, sendo o material transportado por caminhão por alguns motoristas que arriscando suas vidas, deixavam em pontos certos, principalmente no contacto com o Comandante INGO, hoje General do nosso Exército.

Internamente, estava ligado a construção da futura sede do MPLA na Vila Alice e Dona Amália, ajudando na defesa a quando do ataque das forças portuguesas à nossa Sede.

Com a chegada da 1ª delegação do MPLA, fui designado para receber e transportar no meu carro alguns elementos da caravana tais como o grande Lúcio Lara que a chefiava.

           

              

     

     

     

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

BIOGRAFIA       DOS   ORADORES PRINCIPAIS            

           

JOÃO       LOURENÇO                        

           

João Manuel Gonçalves Lourenço nasceu aos 05 de Março de 1954 na cidade do Lobito, Província de Benguela, é filho de Sequeira João Lourenço, enfermeiro, natural de Malanje e de Josefa Gonçalves Cipriano Lourenço, costureira, natural do Namibe, ambos já falecidos.

 

Fez os seus estudos primários e secundários na Província do Bié, onde seu Pai se encontrava na situação de residência vigiada por 10 anos, após ter estado de 1958 a 1960 na prisão de São Paulo em Luanda pelo exercício de actividade política clandestina, enquanto enfermeiro do Porto do Lobito.

 

Deu continuidade aos seus estudos em Luanda, na então Escola Industrial de Luanda e Instituto Industrial de Luanda.

 

Após a queda do regime fascista em Portugal, na companhia de outros jovens, juntou-se à luta de libertação nacional na República do Congo em Agosto de 1974, tendo feito a sua primeira instrução político-militar no Centro de Instrução Revolucionária (CIR) Kalunga. Integrou o primeiro grupo de combatentes do MPLA, que entraram em território nacional via Miconge, em direcção à cidade de Cabinda, após a queda do Regime Colonial Português.

 

 

Durante a sua participação na luta de libertação e logo após a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, fez formação em artilharia pesada, exerceu funções de Comissário Político em diversos escalões, desde pelotão, companhia, batalhão, brigada e de Comissário Político da 2ª Região Político-Militar em Cabinda, entre 1977/78.

 

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Na sequência do esforço de qualificação das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola – FAPLA, parte para a então União Soviética de 1978 a 1982, de onde, para além da formação militar, trouxe o título de Mestre em Ciências Históricas, obtido na Academia Político-militar V.I. Lénine.

 

De 1982 a 1983, participou nas operações militares no centro do país, Kwanza Sul, Huambo e Bié, com posto de comando no Huambo.

De 1983 a 1986, foi designado, pelo Presidente da República e Comandante-Em Chefe das Forças Armadas, para desempenhar as funções de Comissário Provincial do Moxico e Presidente do Conselho Militar Regional da 3ª Região Político Militar.

De 1986 a 1989, por decisão do Presidente do MPLA e da República de Angola, é designado para desempenhar as funções 1º Secretário do Comité Provincial do MPLA e de Comissário Provincial de Benguela.

 

De 1989 a 1990 é nomeado para desempenhar as funções de Chefe da Direcção Política Nacional das FAPLA, ascendendo ao generalato das FAPLA.

 

De 1991 a 1998, passou a desempenhar as funções de Secretário do Bureau Político para a Informação e, cumulativamente por um curto período de tempo, a de Secretário do Bureau Político para a Esfera Económica e Social, tendo assumido igualmente o cargo de Presidente do Grupo Parlamentar do MPLA.

 

Na sequência do IV Congresso Ordinário do MPLA, é eleito pelo Comité Central para desempenhar as funções de Secretário-Geral do MPLA de 1998 a 2003,assumindo nesse período a função de Presidente da Comissão Constitucional da Assembleia Nacional. De 2003 a Abril de 2014, desempenhou as funções de 1º Vice-Presidente da Assembleia Nacional.

 

General na reforma, é designado, por Decreto Presidencial, Ministro da Defesa Nacional

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

em Abril de 2014.

 

Integra o Comité Central do MPLA desde 1985, é membro do Bureau Político do Partido desde 1990, tendo sido eleito pelo Comité Central a Vice-Presidente do MPLA, na sequência do VII Congresso Ordinário do MPLA, realizado em Agosto de 2016.

 

É casado com Ana Afonso Dias Lourenço e pai de 6 filhos.

Praticou futebol e karaté, tem como passatempo a leitura, o xadrez e a equitação.

 

 

LOPO       DO      NASCIMENTO                   

        

Lopo   Fortunato    Ferreira        do       Nascimento,            nasceu          acidentalmente      em            Luanda          em      1940, sendo            a          sua     família           do       Golungo       Alto,            Kwanza         Norte.                      

A         sua     mãe    queria           que     fosse  padre,           mas    o         seu     padrinho      cónego            Manuel         das     Neves            indica-lhe     para   guarda          livros.                       

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Pertenceu    ao       grupo            Bota   Fogo, que     organizava   ações contra           o         estado            colonial,        É          preso a          1         vez     com    19       anos   e          liberto.          Depois            de       2         anos   é          preso de       novo  e          passou          5         anos   na       cadeia.           

Em      1974  recebe           orientação   do       Mpla  e          foge   com    a          família           via            Espanha        para   se        juntar            ao       Mpla  na       Argélia.        

           

           

#          Cargos           que     governamentais     que     ocupou        

-1        ministro        pelo    Mpla  no       governo        de       transição;    

-1        ministro        do       1         governo        da       república      popular         de       Angola;        

-secretário   geral  adjunto         da       comissão      econômica   da       organização            de            unidade       

Africana        (OUA);         

-Ministro      do       comércio;    

-Ministro      do       comércio      externo;       

-Ministro      do       planeamento;        

-Comissario  provincial     da       Huíla;

-Assessor      especial         do       presidente   da       república      de       Angola;        

-Chefe           da       equipe           negocial        do       governo        Angolano     aos     acordos        de            Bicesse;        

-Ministro      da       administração        do       Território;   

?                                                        Foi      também        deputado     do       Mpla  durante        vários                                                         anos;   

?                                          Foi         secretário     geral  (          eleito )          do       Mpla 

           

           

           

           

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

ISMAEL   GASPAR       MARTINS               

    

 

 

Name:                          ISMAEL ABRÃAO GASPAR MARTINS

Birth:                          12 January 1940 in Luanda, Angola

Marital Status:           Married to Luzia de Jesus Gaspar Martins  with four children

 

EDUCATIONAL DATA        

1962-1966                  University:   Lycoming College

Williamsport, Pennsylvania, USA

BA Economics, July 1966

Os            Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna 

           

1968-1969                 Post Graduate:  University of Mannheim Mannheim, West Germany

Studium Diplom Volkswirstschaft, Economics

1969-1970                 University of Oxford, United Kingdom Diploma in Economics Development

1970-1971                 University of Oxford, United Kingdom

Institute of Agricultural Economics,

Research on A.B. Lit Degree

 

PROFESSIONAL EXPERIENCE

September     1971            to       

           

United            Nations          Research        Institute            for       Social             

November      1972   

           

Development (UNRISD)        Geneva:                      Research       

                                  

           

Officer            on       Problems        and     Policies            for       Agricultural  

                                  

           

Development in         Africa 

November      1972   

 

United            Nations          Conference    on            Trade  &         Development

November      1975   

 

External          and     Economics      Affairs Adviser            to        the                 

           

 

President       of        the      Republic         of            Angola           

October          1976            to       

September     1977   

 

Governor       of        the      Central           Bank   of            Angola           

September     1977            to       

October          1982   

 

Minister         of        Finance           of        the            Republic         of        Angola           

October          1982            to                   

 

Minister         for       External          Trade  of        the            Republic         of                   

May    1987   

 

Angola           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

May    1987-1989     

Economic       Consultant    

June    1989    to       

Executive       Director         

July     1995   

African           Development Bank   (ADB),            Abidjan,        

           

Republic         of        Cote    d’Ivoire          

           

Constituency:                        Angola,            Botswana,      Mozambique,           

           

Namibia         and     Zimbabwe     

OTHER            RELEVANT       FUNCTIONS    

1996              to                    2000                              

           

Member         of        the      Task    Force            SADC  

                                  

           

           

World Economic       Forum Summit         

                                  

           

Founding        Member         and     Co-President                  

                                  

           

Angola            –          South  Africa  Chamber            of        Commerce    

                                  

           

           

And     Industry        

23        May    2001            to       

           

Ambassador   Extraordinary            &            Plenipotentiary        

2018                          

           

           

Permanent     Representative          of            the      Republic         of       

Angola            to        the      United            Nations         

January          2003            to       

           

Representative          of        Angola                       

December      2004   

           

to        the      United            Nations            Security          Council          

           

Os            Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna 

           

November      2004           

           

                                 President         of        the      Security                                   Council          

3          November            2004   

           

Chairman       –          Forum of        Mine   Affected            Countries       (FOMAC)       

23                June                    2006                                               

June    2007   

           

Chairman     –          Peacebuilding           Commission   (PBC)  

January          2015            to       

Representative          of        Angola            to        the      United            Nations         

December      2016           

           

Security       Council          

2016                           

                                 President         of        the      Security                                   Council          

           

KNOWLEDGE  OF       FOREIGN         LANGUAGES   

           

Portuguese                          and          English                     Excellent       

French,                                              Spanish           &         German          Working         Knowledge    

           

2018                                                   Angolan         Sovereign       Wealth           Fund                                                              non     –          Executive       Board  Member        

           

           

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

           

PRELECTORES                    

           

ISAIAS     SAMAKUVA                      

      

É presidente da UNITA desde 2003.?FILIAÇÃO: Henrique N ´Gola Samakuva (Pastor da IECA) e de Rosília Ani Ulundu (doméstica). DATA DE NASCIMENTO: 8 de Julho de 1946 em Silva Porto-Gare (actual Kunje) – Bié. ESTADO CIVIL: Casado com Albertina Inês Satuala Samakuva e pai de 5 filhos.?LÍNGUAS: Fala e escreve Português, Inglês, Francês e Umbundu.  

  

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

De 1954 a 1961- Ensino primário nas missões Evangélicas de Camundongo (Kuito) e Chissamba (Nova Sintra).  

De 1962 a 1963 - Ciclo preparatório. Terminou com 18 valores, na Escola Sarmento Rodrigues, no Huambo.  

De 1964 a 1967 - Curso Geral do Comércio, em Silva Porto (actual Kuito). 

1969 a 1970 - Conclusão do Curso Geral do Comércio.?1971 - Secções Preparatórias para o Instituto Comercial (SPIC).  

De 1998 a 2004 Ciências Sociais na "Open University" da Inglaterra e, simultaneamente, Relações Internacionais e Diplomacia, no Centro de Estudos Diplomáticos e Estratégicos da Escola de Altos Estudos Internacionais, em Paris.  

  

1974 a 1975 - Funcionário Público na Inspecção Geral do Trabalho. Produtor de programa radiofónico Kwacha, na Rádio Club do Bié em 1975.  

Inspector Geral de Trabalho, no Governo da efémera República Democrática de Angola, proclamada pela UNITA e pela FNLA na cidade do Huambo (Nov 1975 a Fev 1976).  

Chefe de Secretaria do Comando da Região Militar no 45 (Província do Huambo) Fevo a Jul 77.  

Chefe de Secretaria Geral do Gabinete do Presidente da UNITA e Alto Comandante das Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA) de Julho a Setembro de 1977.  

Director da Logística da Frente Sul, de Set 1977 a Set 1978. Geograficamente, a Frente Sul compreendia o território da Província do Kuando Kubango.  

Responsável pela base Logística do Bambi (Rundu) e representante adjunto da

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UNITA junto da África do Sul. Seto 1978 a Jano 1979.  

Oficial de Ligação entre a UNITA e a República Sul Africana de Jano 1979 a Novo. 1985.  

Director Geral da Logística da UNITA, de Novo 1985 a Maio de 1986.  

Coordenador dos Gabinetes do Presidente da UNITA e Alto Comandante das FALA, de Maio de 1986 a Outo.1988;  

Tesoureiro Geral da UNITA e seu representante no Reino Unido de Outo 1988 a Novo. 1994. Eleito deputado à Assembleia Nacional em Setembro de 1992.  

Membro da delegação da UNITA às negociações com o Governo de Angola. Terminam em Novo1994 com a assinatura do Acordo mais conhecido por "Protocolo de Lusaka".  

Chefe da Delegação da UNITA na Comissão Conjunta, em Luanda de DEZo

1994 a SETo 1998. Compunha este órgão, a UNITA, o Governo de Angola, a Troika de Observadores e representantes da ONU e tinha por missão, implementar o Protocolo de Lusaka.  

Coordenador da Missão Externa da UNITA, órgão que se ocupa da coordenação da actividade diplomática das representações da UNITA no estrangeiro de Outo 1998 a Out 2002.  

Eleito Presidente da UNITA (UNIÃO NACIONAL PARA INDEPENDÊNCIA DE ANGOLA) em Junho de 2003.  

           

           

           

           

           

Os            Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna 

           

ROSA       CRUZ E          SILVA           

        

     

     

     

     

     

     

     

     

     

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

CHICO     ADÃO                      

Chicoadão é: Jornalista, (colunista criador de “Ver, Ouvir e... Falar.

Antropólogo; Jurista; Comandante de avião militar, civil e milionário do ar; incorporado no Serviço Militar do Exército colonial, no dia 21-FEV-1960, no Grupo de Dragões de Angola; ingressou e fez o CIR de Kazaji do MPLA, no II Semestre de 1974; esteve presente no Largo Primeiro de Maio, no acto da proclamação da Dipanda, de Novembruonze, de 1975; integra o grupo dos fundadores da FAPA/DAA e desfilou, diante da Bandeira Nacional e da Tribuna de Honra, incluído nas forças em parada presentes no Acto Solene da Proclamação da Força Aérea Popular de Angola e Defesa Anti-Aérea, por

Agostinho Neto, na manhã de 21-JANEIRO-1976; escrevinhador apaixonado de Mambu sobre a sua terra amada, as Nações Ancestrais, os heróicos e generosos Povos — da Angola de milhões que ninguém, jamais, vai poder colonizar, esclavagizar, nem xaxatar — uma Angola proclamada República de opção constitucional “Democrática de direito”.SARA            FIALHO                    

     

      

           

Os            Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna 

           

           

1. IDENTIFICAÇÃO

 

Nome: Sara Rodrigues Fialho da Costa(SARA FIALHO)

  

2015 - Mestranda do Curso de Comunicação e Jornalismo, na AIU - 

2012 - Finalista do Curso de Comunicação e Jornalismo, na AIU -

           Atlantic International University, (Honolulu) p/ correspondência  

        1988 - Curso de Formação Superior em Jornalismo (Portugal/ CENJOR)

1979 - Frequência do 1º Ano do Curso de Direito/ Opção Advocacia (UAN)

 

3.HABILITAÇÕES PROFISSIONAIS 

4. 

2014 - Co-Apresentadora do Programa “O que Elas Pensam”/ por 5 Temporadas na ZAPTV, Canal 71/ Zap Viva.

2011 - Coordena a Comissão de Reestruturação do CIAM,(25.Ago)

2010 - Nomeada Administradora Executiva da Edições Novembro, E.P.(29.Out.) 2007 - Promovida p/ Conselheira de Imprensa, na Embaixada de Angola, na RFA

 

2002 - Nomeada Adida de Imprensa na Embaixada de Angola, na RFA 

2002 - Representa o MCS, na Conf. Intern.Contra a Exploração Sexual Infantil, em

                                                                                                         Yokohama/Japão.

2001 - Pivô dos Programas Carrossel, Nossa Geração e Você Decide/ na TPA

       2001 - Integra delegação do MCS à 54ª do Conselho Segurança da ONU, NY

2001 - Integra delegação do MCS à Conferência da Hum. Rights Watch, Londres

2000 - Assessora do então Vice-Ministro da C. Social, Dr. Manuel Augusto

 

1997 - Professora de Jornalismo, na Rádio Escola, actual CEFOJOR

1996 - Cobre a Conferência Internacional das Mulheres, pela LAC, Beijing/ China 1996 - Homenagem da AMUJA - Assoc. das Mulheres Jornalistas de Angola, p/

                   20 anos de Contributo ao Desenvolvimento da Comun. Social, em Angola 

1994 - Nomeada Editora de Turnos, na Rádio Luanda Antena Comercial-”LAC”

  

  

1986 - Colaboradora das Revistas, “TVeja”/ TPA; e “Energia”/ M.E. Petróleos

1985 - Colaboração diversa na Revista da ONG (Development Work Shop/ Canadá

1984 - Nomeada Chefe de Redacção da Gazeta “Lavra e Oficina”, da UEA

Os            Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna 

             

1978 - Funda o Jornal Infantil “1 de Dezembro”, do Jornal de Angola

 

1974 - Locutora de Prog. Juvenis, na Emissora Cat. de Angola, “Rádio Ecclésia” 

  

4. OUTRAS ACTIVIDADES

 

       2019 - Eleita Presidente do Cons. Direct.da Cooperativa de Jornalistas Angolanos 

2018 - Cria condições para o surgimento da Cooperativa de Jornalistas Angolanos

2018 - Deputada Suplente do MPLA, pelo Circ. Nacional na Assembleia Nacional 

2017 - Candidata à Deputada do MPLA à Assemb. Nacional, pelo CírculoNacional         

2017 - Comentarista Não permanente no programa “Visão Actual”, da ZAP-TV

 

 

2012 - Integra o Team de Escritores p/ a edição da obra literária dos escritores              Luis Fernando e Eduardo Águaboa “Taras de Luanda II”(25.2.16)  2012 - Eleita Presidente do Conselho Directivo da Associação Fialho da Costa.

2011 - Secretária p/ Informação do Cons. Directivo da Assoc. Processo dos 50

 

 

 

1976 - Prof. de Língua Portuguesa, na Esc. Ngola Nzinga, Formação UNESCO

1973 - Alfabetizadora no Grupo Juvenil “Dom Bosco”/ Paróquia de NS de Fátima 1970 - Atleta amadora de Basquetebol no Clube Luanda/ Cidadela Desportiva.

           

           

           

           

           

           

           

           

           

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ANA         LÚCIA            DE       SÁ                 

           

Ana     Lúcia   Sá,       Doutora         em       Sociologia,     é          Professora     Auxiliar          no            Departamento          de        Ciência          

Política           e          Políticas         Públicas         e          investigadora            no       Centro            de            Estudos          Internacionais           do       ISCTEInstituto           Universitário de        Lisboa.            No       ISCTE-IUL,     desempenha  as        seguintes       funções:         directora        do            Mestrado       em       Estudos          Africanos,      membro         eleita   da        Comissão       Científica            do       Departamento          de        Ciência           Política           e          Políticas         Públicas         e            sub-directora            do       Centro            de        Estudos          Internacionais.          É          também            membro         das      Comissões     Editoriais       das      revistas          Cadernos       de        Estudos            Africanos       e          African           Studies           Review.          No       presente,        a          sua            investigação  centra-se        nas      relações         sociedade-Estado     em       regimes            autoritários   em       África  e          na        resiliência      do       autoritarismo.           Publicou,            entre   outros            textos, os        livros O         Tradicional     e          o          Moderno         na            Obra    de        Uanhenga       Xitu     e         A          Ruralidade      na        Narrativa       Angolana        do            Século XX,       Elemento        de        Construção    da        Nação?.          

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

                       

WASHINGTON DE       NASCIMENTO                              

    

Washington   Santos            Nascimento   é          professor       adjunto          de        história          da            África  da        Universidade do       Estado            do       Rio      de        Janeiro           (UERJ).            Doutor           em       História          Social  pela     Universidade de        São      Paulo  (USP)  e            Mestre            em       Ciências          Sociais:           Antropologia pela     Pontifícia        Universidade            Católica          de        São      Paulo  (PUC   -           SP).                

           

Organizador  e          autor  dos      livros: “Manana.        Uanhenga      Xitu:    edição crítica”            (2019),            “Intelectuais  das      Áfricas”          (2018),           “Etnicidades  e          Trânsitos:      estudos            sobre  Bahia  e          Luanda”         (2017)            e          “Odeere:         formação       docente,            linguagens     visuais            e          legado            africano         no       sudoeste        baiano”            (2014).          

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Desde 2009   tem     pesquisado    sobre  Agostinho      Mendes          de        Carvalho        –            Uanhenga      Xitu,    resultando     daí       algumas         publicações   como  “O        casamento            do       preto  Marajá            com     a          branca            Arlete:            relações         amorosas       e            racismo          em       Os        discursos       do       Mestre            Tamoda         de        Uanhenga            Xitu”    publicado       na        revista            Outros            Tempos          (Online),         v.         16,       p.            26-41, 2019,  “.          Uanhenga      Xitu:    entre   descolonizações       literárias,       ancestralidade            e          trânsitos.        In:       CARVALHO    FILHO,            Silvio   de        Almeida;         NASCIMENTO,            Washington   Santos            (org.). Intelectuais    das      Áfricas.           1.         ed.       Campinas:            Pontes            Editores,        2018,  p.         273-302,        “Universo       mítico-religioso            Kimbundu      e          trânsitos        culturais         em       Uanhenga      Xitu     na        Revista            Brasileira       de        Ciências          Sociais,           v.         32,       p.         1-14,   2017.             

           

Além   disso   a          trajetória       de        Uanhenga      Xitu     é          analisada       em       sua      tese            de        doutorado     “Gentes          do       Matoos        “novos            assimilados”  em       Luanda            (1926 –          1961)”            defendida      em       2013   na        Faculdade      de        Filosofia            Letras e          Ciências          Humanas       da        Universidade de        São      Paulo.            

           

           

           

           

           

           

           

           

           

           

           

           

           

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NATHALIA         SIQUEIRA               

     

Pesquisadora, professora e escritora Nathalia Rocha Siqueira. Mestranda em história política pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), graduada e licenciada em Letras - Português e Literaturas de Língua Portuguesa pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atua na área de Letras com ênfase em Letras e História. Pesquisadora no grupo interinstitucional intitulado: Áfricas. Trabalha sob uma perspectiva interdisciplinar aberta a vários campos de conhecimento e debruça-se sobre algumas temáticas africanas, especialmente relacionadas a Angola. Seguindo este caminho estuda o autor político Uanhenga Xitu na sua atuação como escritor e político.

 

Sobre Uanhenga Xitu, possui artigos, ora mais voltados para a questão literária, ora mais voltados para a questão política. E ainda algumas comunicações acadêmicas. Consoante a isso possui como temática da sua dissertação de mestrado a atuação política do enfermeiro Uanhenga Xitu-Mendes de Carvalho. A pesquisa e a dissertação seguem em curso. Construiu junto com outros escritores/pesquisadores a edição crítica brasileira do livro Mananaa ser lançada no Brasil e em Angola com o apoio e direção da Fundação Uanhenga Xitu. 

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Aliando literatura e história, a perspectiva da pesquisadora é alargar as análises nestas áreas, produzir e adquiri conhecimentos, relacionar as temáticas à realidade próxima através de reflexões que tenham valor prático nos estudos acadêmicos e mais ainda, ampliar para além da academia. Pois entende-se que o conhecimento produzido nas universidades não pode ficar restritos a elas e sim ampliar e diversificar os interlocutores, alcançando velhas e novas gerações. A literatura de Uanhenga Xitu e a história de uma Angola do século XX se tornou ponto de partida para a discussão de questões de relevância atual e universal e não apenas restritas temporal e espacialmente ao continente e ao século passado. 

           

ANTÓNIO          GONÇALVES                      

      

           

António Gonçalves, nasceu em Luanda

 

É Gestor Hoteleiro Frequentou o curso de Linguística no ISCED de Luanda, opção Língua Portuguesa.

 

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Foi Secretário-Geral da união dos Escritores Angolanos, no período de 1996 a 2001

Grande parte da sua obra literária foi editada em cuba, onde durante dez anos exerceu a função de conselheiro cultural da embaixada de Angola.

 

É membro da União dos Escritores e Artista de Cuba, Organização Poeta do Mundo e do Movimento Poético Mundial com sede em Medellín (colômbia).

 

Para além de Angola e de Cuba tem textos publicados em Nicarágua, Venezuela, Costa Rica, Colômbia, Suécia, Espanha e Alemanha

É quadro sênior do Ministério da Cultura Reformado e colaborador da Fundação Uanhenga Xitu.

           

TÂNIA      DE       CARVALHO 

      

  

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Mestre em sociologia pela Universidade Agostinho Neto, Faculdade de Ciências Sociais.?Licenciada em Ciências da Educação, Opção Sociologia, pela Universidade Agostinho Neto, na faculdade de Ciências da Educação ISCED (Instituto Superior de Ciências da Educação). Dissertação sob o tema: O Processo de Reeducação e Reinserção social dos presos, estudo de caso, cadeia de Viana/Luanda 2007-2008 (17 valores) 

HABILITAÇÕES PROFISSIONAIS 

Curso de Pluralismo Social nos E.U.A, Centro Internacional de Estudos (Nova York), sob responsabilidade do Departamento do Estado de Washington. (2011)?Curso de jornalismo (CEFOJOR) 

 Varias formações de capacitação com certificados comprovativos, no domínio da luta contra o tráfico de seres humanos em diferentes módulos. 

OUTROS INTERESSES 

Dissertação em várias palestras em diferentes níveis de conhecimento (colóquios sobre Cultura Nacional na assembleia Nacional “ um só povo uma só Nação, projecto ou realidade”).         

Actriz de teatro durante 08 anos 

Membro do Movimento literário Artes ao Vivo.  tania.decarvalho@hotmail.com taniuska251@hotmail.com 

           

           

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

CLUBE            DOS   AMIGOS       DE       CATETE         (FOTO           COLECTIVA)           

O Club dos Amigos de Catete, é uma Associação Juvenil, não governamental e sem fins lucrativos. 

 

Foi criada no dia 13 de Junho de 2012 com o objectivo de partilhar a vivência das populações do Icolo e Bengo nas redes sociais. 

 

Actualmente o objectivo do grupo é a prática do activismo académico, social e cultural no Icolo e Bengo e noutras áreas.

           

Agradecimento      especial         à          Nha    Beba  (Eulália          Cândida        Fernandes    Andrade)            pelo   apoio aos     presos           políticos        angolanos   

           

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Adeus tia Beba!

Era um congresso de escritores em Cabo Verde, na cidade da Praia. Países de língua oficial portuguesa. Ia reencontrar amigos, colegas do tempo de Coimbra. Como sempre, nestes eventos criam-se proximidades e eu e a Alice passámos a andar quase sempre com Nélida Piñón essa diva das letras brasileiras, académica e prémio Cervantes. Quando íamos a um restaurante e eu perguntava o que é que ia comer tinha uma graça especial, ficava a meditar uns segundos, eu repetia qual a comida que ia escolher e ela respondia “gosto de comida que mata.” Fiquei marcado por Cabo Verde pela crioulidade identitária e a maneira subtil como se repartia a escassez como se fosse uma riqueza a preservar e também as pessoas, a música e o encanto da Cidade Velha com torresminho a cincostões e grogue envelhecido. Naquele tempo tinha uns cobres e quis comprar uma casinha na cidade velha.

Ninguém ali vendia casa. Ainda falei com meu falecido amigo e poeta Corsino Fortes (do verso “O machado de pedra de meu avô”) e nada. Ninguém vendia casa por nenhum preço. Só se quisesse comprar um apartamento, disse-me Corsino. Era o que me faltava voltar donde queria fugir.

Um dia, a escritora angolana Paula Tavares falou que ia ao Tarrafal levar uma carta de Zé Luandino para  tia Beba. Fomos a Chão Bom e Nélida também. Nunca me esquece chegar a Chão Bom, ir ao mercado e comprar cachos de uvas pequenininhas que para mim significavam um desafio à falta de chuva como as tantas árvores recém plantadas. Eu já escrevi sobre isto mas hoje é diferente.

Demandada a casa da tia Beba conhecida por toda a gente, bateu-se à porta e uma menina abriu.

“Sentem-se, vou chamar.”

Ficámos a comentar em que parte do mundo se deixa ficar dentro de casa gente que não se conhece.

A tia Beba chegou. A Paula entregou a carta. Depois foi todo um ouvir de vida e vidas. Porque a tia Beba ajudava quanto podia os presos políticos encarcerados e torturados no campo de concentração do Tarrafal, mandado fazer pelo então ministro de Salazar, Adriano Moreira como “campo de trabalho” a expensas de Angola e com polícias idos daqui pois Angola é que suportava a despesa da guerra colonial. Ainda este fim-de-semana, num daqueles almoços em que a gente sempre se esquece de um gravador, ouvi uma longa narrativa de um compatriota que passou anos no campo de concentração

que eu havia de visitar mas já “lavado,” sem marcas de sangue e torturas.

Não me cabe a mim falar das formas como tia Beba ajudava indirectamente os presidiários. Sei que Agostinho Neto a convidou a vir até Angola, alojada e tratada com mais de cinco estrelas e ela sentia uma honra especial como se fosse uma condecoração de amor.

Levámos tia Beba e a menina para almoçar connosco no hotel virado para o maravilhoso mar de transparente azul e areia límpida. E ela continuou a narrativa nunca sendo ela a primeira pessoa mas os outros.

As pessoas de coração para os outros costumam ser esquecidas. Eu, de vez em quando, lembro-me de tia Beba. Na hora, gravámos em sua casa. Fiquei sem esse som. O tempo passa, a vida continua porque não é só a nossa mas dos que vão nascendo e dos que vão partindo.

Hoje, terça-feira, dois dias antes desta crónica sair, abri a televisão e Pedro Pires, um icónico combatente da independência da Guiné e Cabo Verde, apareceu a falar que “Nha Beba morreu com 109 anos.”

Só vi que eu estava chorar quando as lágrimas me taparam a visão. Desci as escadas a correr: “Alice, a tia Beba morreu.”

Pedro Pires falou no apoio que ela prestava aos presos, sempre num exercício de cautelas, religião, diplomacia e amor pela liberdade. Pedro Pires a revelar que ela acima de tudo ajudou os presos angolanos e que Luandino Vieira considerava “Nha Beba” sua mãe.

E Pedro Pires revelou mais. Tia Beba era militante na clandestinidade do PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde).

Há heróis que ficam na história de peito aberto. E há outros que se escondem naquilo que é mais importante na vida: entregarmos o nosso coração. Foi assim a vida de tia Beba, uma espécie de estátua africana embrulhada por nuvens onde moram os espíritos da nossa ancestralidade.

Daqui de longe, mas muito perto, com todos os meus sentidos envolvidos por morabeza, ouvindo o violino desafinado do meu antigo barbeiro caboverdiano ali do Prenda, vergo-me perante tua beleza de cento e nove anos e beijo tua testa com a certeza de que não morreste embora a minha lágrima me chame para um comba infinito com muita música e poemas que andam nos mares das ilhas e chegam até mim para meditar sobre o amor ao próximo que é o lugar da liberdade.

DR

Campo de concentração do Tarrafal, onde estiveram presos vários nacionalistas angolanos                                

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

           

Título: Discurso de Retirada da politica activa 

Deputado: Lopo do Nascimento 

Local: Assembleia Nacional, Rua do 1º Congresso do MPLA, Luanda, Angola  Data: 14 de Janeiro de 2014

 

Sr. Presidente da Assembleia Nacional, 

 

agradeço o facto de me ter permitido dizer algumas palavras aos meus colegas deputados, na altura em que me despeço dessa casa. 

 

Entrei nesta casa em 1980, na condição de Deputado pelo círculo de Malange e ao longo destes 34 anos pude conviver com Angolanos deputados vindos de todos os cantos de Angola e membros de vários partidos, constituídos ao longo destes tempos e muitos dos quais já não existem. 

 

Eu, que sou um dos sobreviventes, venho aqui para agradecer a todas aquelas pessoas que por aqui passaram, assim como a todos os partidos que também aqui estiveram.

 

Quero dizer a todos que tenham passado aqui na condição de deputados e a todos os partidos sem excepção o meu “Muito Obrigado”. Muito obrigado porque como sou hoje, também a todos devo, a eles devo a compreensão, de que não tenho o monopólio da verdade e os outros não têm o monopólio dos erros. É e entre os milhares de Deputados que ao longo destes 34 anos permitiram que eu convivesse com eles, desejo hoje ressaltar 3 nomes:

 

•     Lúcio Lara, pela sua capacidade de ouvir os outros;

•     Mfulupinga Lando Victor, pela sua personalidade inconformista, pois elas fazem mudar o mundo; 

•     Agostinho Mendes de Carvalho, na sua retidão na defesa das causas do povo angolano. 

 

Finalmente, peço autorização para deixar aqui uma mensagem aos jovens deputados, num País jovem, tanto mais que aqui entre os deputados estão dirigentes das organizações juvenis dos partidos: 

 

 

 

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

O futuro deste País, cujo presente custou sangue suor e lágrimas está nas vossas mãos e vocês jovens não podem perder-se em discussões de infantário que apenas vos dividem e impedem discussões e acções comuns em relação ao que é verdadeiramente importante para o futuro. 

 

As eleições em Africa são importantes, mas não são suficientes. As eleições são um processo de exclusão e precisamos em África processos de inclusão. vocês jovens tem de estudar em conjunto novos rumos para África e não serem meros papagaios repetindo o que vem do Norte. Em Africa a maioria dos partidos são muito assente numa base etnolinguística e cultural, de modo que quando as eleições excluem um partido, não é uma organização política que está a ser excluída, mas sim um grupo social e etnolinguístico cultural. É esta exclusão resultado de processos eleitorais fomentados do Norte que está na base de muitas situações que temos no nosso continente.

 

Criamos os estados, fizemos os governos, mas falta criar-nos a nação. Os vossos Pais, os vossos avos, meteram-se na trilha da libertação que levou a independência da Africa, agora é altura de vocês meterem-se na trilha da construção da nação. A nação não é de nenhum partido, é obra de todos e pertence a todos, e quanto mais um País africano avançar na construção da nação, menos será a possibilidade de surgirem as crises que têm afectado o nosso continente. 

 

Hoje, em muitos Países do nosso continente, o importante para subir na vida é a cor do cartão do Partido, é o «quimbo» de onde venho, ou a raça do que sou. E vocês jovens africanos têm de preparar-se para ajudar a mudar estes critérios em favor da educação, da formação e da competência. 

 

Quero apenas dizer aos deputados desta legislatura, e a todas as legislaturas desde 1980 o meu muito obrigado, por aquilo que me ensinaram ou fizeram para que eu pudesse estar como hoje estou. Obrigado a todos, os aqui presentes ou ausentes, os vivos ou aqueles que já tenham partido. 

 

Muito obrigado!  

           

           

           

           

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Título: Universidade Metodista de Angola atribuiu o Doutoramento Honoris Causa a Mendes de Carvalho Deputado: Carlos Venâncio 

Local: Auditório da Universidade Metodista   

Data: 25 de Maio de 2012

                       

Intróito        

           

1.      No       dia       25        de        Maio   de        2012,   a          Universidade  Metodista       de        Angola            atribuiu           o          Doutoramento            Honoris           Causa  ao        escritor           e            nacionalista    Agostinho        André  Mendes           de        Carvalho         (Uanhenga      Xitu),            figura  incontornável da        história           recente           de        Angola,           que            completa,       neste   ano,     90        anos    de        vida.    Coube  ao        sociólogo        José            Carlos  Venâncio,        um       dos      académicos    que      tem     trabalhado      a          obra            literária          de        Uanhenga       Xitu,     proferir           o          elogio  do        doutorando.    O            texto    que      se        segue  é          a          Laudatio          então   proferida        na            cerimónia,      que      teve     lugar   nas      instalações      da        Universidade  Metodista       de            Angola,           na        Funda  (arredores      de        Luanda).         

           

Laudatio      

           

2.      É          já         longa   a          amizade          que      me       une      ao        escritor,          político            e            nacionalista    angolano         Agostinho        André  Mendes           de        Carvalho,            igualmente     conhecido       (sobretudo      no        mundo das      letras) por      Uanhenga            Xitu.     Remonta         ao        Outono            de        1986,   quando            o          próprio,            então   embaixador    na        República        Democrática   Alemã,            se        deslocou         a            Frankfurt,        mais    propriamente à          famosa            Feira    do        Livro    desta   cidade,            para    receber,          em       nome   do        poeta   e          amigo  António           Jacinto,           o            “Noma            Award for       Publishing       in         África”,           que      nesse   ano      fora            atribuído         a          este     pelo     livro     Sobreviver      em       Tarrafal          de        Santiago.            Nessa  manhã chuvosa           e          fria,     a          prenunciar      um       Inverno           rigoroso,            aproximei-me,           muito  timidamente,  no        fim      da        sessão,            do        então            embaixador    e,         identificando-me        como   angolano,        disse-lhe         que      tinha            gostado           de        o          ouvir.   Cumprimentou-me    com     tal        afectividade    que,            desde  esse     dia,      se        desenvolveu    entre   nós      uma     amizade          profunda,            um       relacionamento          intelectual,     do        qual     muito  tenho   aprendido       e          do            qual     muito  me       orgulho           –          relacionamento          que,     em       última instância,            responde         pela     minha  presença         neste   acto     solene,            em       que,     com            todo     o          mérito,            se        homenageia   um       dos     

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

ícones vivos    da        nação  angolana.       

           

3.      A          escrita e          a          acção  nacionalista    de        Agostinho        André  Mendes           de            Carvalho         já         eram,  antes   desse   encontro,        um       dos      meus   objectos          de            estudo enquanto        investigador    e          docente           da        Universidade  de            Heidelberg,     mais    propriamente do        Instituto          de        Tradutores      e            Intérpretes      (Institut           für       Übersetzen     und      Dolmetschen).            O         interesse            trouxera-o      da        Universidade  de        Mainz, onde    me       havia   doutorado,      e            que      dispunha         de        um       dos      institutos         de        Estudos           Africanos            mais    prestigiados    da        Alemanha,      alojando          uma     das      bibliotecas      mais            completas       de        literaturas       africanas         modernas,      comprada       ao            africanista      e          coleccionador Janheinz          Jahn.    Fui       lá         encontrar,       a            exemplo          dessa   riqueza,           duas    antologias       de        poesia angolana         que            nós,     estudantes      dos      Cursos de        Letras  da        Universidade  de        Luanda            a            funcionar        na        então   Sá        da        Bandeira         (hoje    Lubango),        à          revelia            dos      poderes           então   instituídos,      havíamos        publicado        em       edição            policopiada.   

4.      Quando           nos      finais   dos      anos    70        do        século  passado           cheguei           à            República        Federal           da        Alemanha,      poucos eram   os        escritores        de            língua  portuguesa     traduzidos       e          publicados      naquele           país.    Havia   umas            três      edições           dos      Lusíadas,         datando          a          primeira         de        1810.            Peter   Sulzer  publicara,       em       1958,   o          conto   “A        praga” de        Óscar  Ribas            numa   antologia,       de        prosa   e          poesia,            a          que      deu      o          nome            deChrist          erscheint         am       Kongo. Afrikanische    Erzählungen    und      Gedichte            [Cristo aparece          no        Congo. Narrativas       e          poemas           africanos            (Heilbronn      1958)] e          em       1962    Irm      Bouvier           traduzira         e            publicara,       em       co-editoria      com     Mário  Pinto    de        Andrade,         a          antologia            Poesia negra. Dichter            portugiesischer          Sprache           (Munique)       [Poesia            negra. Poesia em       língua  portuguesa],   inicialmente   publicada        em       Paris,   em            edição de        Pierre  Jean     Oswald.          

5.      Autores           como   Fernando        Pessoa e          José     Saramago,      sobre   os        quais   recai            hoje     um       interesse         relativamente (...)     

6.      Em       1966,   a          editora            Rowohlt          publicava,       entretanto,     o          romance         de            Jorge   Amado,           Gabriela,         cravo   e          canela[Gabriela         wie      Zimt    und            Nelken],          com     tradução         de        Curt     Meyer-Clason,            um       dos      grandes            tradutores       e          divulgadores   da        literatura        de        língua  portuguesa     no            país.               

           

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

Eram   estas    e,         se        mais    houver,           não      serão   muitas,            as        traduções        de           autores           de        língua  portuguesa     no        mercado         livreiro            alemão           até       19801, quando            Ulla     Shild,   docente           de        literaturas       africanas         no           Institut für       Ethnologie      und      Afrikastudien  [Instituto         de        Etnologia        e           Estudos           Africanos]       da        Universidade  de        Mainz, publicou          a          antologia           Pulsschläge     –          afrikanische    Literatur         heute[Pulsações         –          a          literatura           africana          hoje],   número           especial          da        Zeitschrift       für       Kulturaustausch           [Revista           para    o          Intercâmbio    Cultural],        do        ainda   existente         Institut           für       Auslandsbeziehungen [Instituto         para    as        Relações         Exteriores],     sediado           em       Estugarda       e          vocacionado   precisamente para    o          intercâmbio    cultural.          

7.      Uanhenga       Xitu      é          um       dos      (poucos)          autores           de        língua  portuguesa            contemplados nessa   antologia.       É-o       com     o          conto   “          ’Mestre’          Tamoda”            (Meister          Tamoda),        escrito ainda   na        prisão  do        Tarrafal,         como   o            autor   confessa          na        introdução      à          obra    Os        discursos         do        Mestre            Tamoda(Luanda         s.d.)     e          publicado,       pela     primeira         vez,      em       1974.   O            impacto          do        conto   –          segundo          pude    aperceber-me            pelas            conversas        tidas    com     professores     e          colegas           –          foi        grande,            porque            o          seu      autor,  com     palavras          singelas,          num     estilo   que            tanto   tem     de        frieza   como   de        ironia, espelha,          com     grande            profundidade  e          universalidade,           o          lado     dramático       da        relação            colonial.          Muitos foram  os        ’Mestres’        Tamodas         no        mundo colonizado      e,            nessa   medida,          sem     desmerecer,   de        forma  alguma,          o          que            posteriormente          escreveu,        Uanhenga       Xitu      é,         e          será     sempre,          o            autor   –          sobretudo       quando            nos      colocamos      no        plano   internacional  –            do        conto   “’Mestre’        Tamoda”.       

8.      Sobre   este     mesmo            conto   incentivei,       anos    depois,            mais    precisamente em            1985,   uma     diplomanda    da        Universidade  de        Heidelberg,     Institut für            Übersetzen     und      Dolmetschen  [Instituto         de        Tradução        e          Interpretação],            Daniela           Schobert,        a          escrever          a          sua      dissertação     de        fim      de            curso,  que      veio     a          ter       o          seguinte          título:  “Língua           e            colonialismo.  O         caso     específico       de        Angola na        perspectiva     de        um            seu      escritor”.       

9.      Portanto,         quando            em       1986    nos      encontrámos  em       Frankfurt,        levava comigo            um       historial          de        aproximação  à          sua      obra    literária,         que            naturalmente facilitou          o          encontro         e          a          amizade          que      se            veio     a          desenvolver.              

           

Dois     anos    depois,            desta   feita    na        Inglaterra,      mais    propriamente em       Bristol,           em       cuja     universidade   estive  como   “visiting          fellow”,           vim      a          ter           como   colega uma     professora,     Annella           McDermott,    que      tinha    precisamente           acabado          de        traduzir           o          conto   em       apreço,          

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assim  como   o          livro     Os        discursos         do        ‘Mestre’          Tamoda,         de        que      se           publicou          um       só        volume,           intitulado        The      World  of         ‘Mestre’           Tamoda          (1988) pela     Readers          International.  Tive     a          felicidade,       também           desta   feita,   de        poder  assistir ao        lançamento    do        livro,    com     a          presença           do        autor,  em       Londres,          no        Africa  Centre.           

10.  Ao        longo   da        minha  carreira          académica      tenho   estudado         e          escrito sobre   a            sua      obra,   tendo   também          incentivado     outros  a          fazê-lo,            nomeadamente            alunos de        pós-graduação.          Foi       assim   que,     para    além    dos      casos   já            referidos,        a          Ana      Lúcia   Lopes   de        Sá        escreveu,        no        âmbito            de            uma     dissertação     de        mestrado        defendida       na        Universidade  do        Porto            (Faculdade      de        Letras/Centro de        Estudos           Africanos),      aquele que      será,            porventura,     o          estudo mais    completo        da        obra    literária          de            Uanhenga       Xitu,     editado           em       livro,    com     a          chancela         da        União            dos      Escritores        Angolanos,      em       2005,   com     o          título:  A          Confluência    do            Tradicional     e          do        Moderno         na        Obra    de        Uanhenga       Xitu      (Luanda:            UEA).  

11.  É          grandiosa        e          reconhecida    a          faceta  de        escritor,          mormente      a          de            contador         de        estórias,          de        Uanhenga       Xitu.     Foi,      por      esse     facto,            galardoado     pelo     conjunto          da        sua      obra,   em       2006,   com     o          Prémio            de        Cultura            e          Artes,  na        categoria        de        literatura.       Os        seus            textos, salvo    a          narrativaMungo.        Os        sobreviventes da        máquina         colonial            depõem…(1980;         2002),  referemse       [por     norma]            à          cidade de        Luanda            e          ao        que      poderemos     designar          por      interior           próximo,         a            Funda, Catete,            Calomboloca, etc.      ,           locais   que      distam da        capital de        40            a          100,     120      quilómetros.   Trata-se          de        uma     região onde    a          presença            portuguesa     se        fez       sentir   de        maneira          acentuada,      pelo     menos desde  o            século  XVI.      É          na        miscigenação cultural           e          linguística,      em       muito            reportável       àquela presença,        que      gravitam         as        personagens   dos      textos            em       referência,      tais      como   o          nosso   já         conhecido       ‘Mestre’          Tamoda,            do        conto   homólogo,      mas     também          Manana          e          Felito,  da        novela            Manana          (1978),            Mafuta,           de        Maka   na        Sanzala           (Kahitu)(1979),            Toni     e          Kuteku,            de        O         Ministro          (1989),            isto      para    citar            apenas            alguns.                       

São      protagonistas  de        um       mundo marcado         pela     transição         cultural           entre   o           tradicional      e          o          moderno,        quer    no        que      se        refere  ao        período           colonial,          como   o          “Mestre          Tamoda”,        quer    ao        período           pós-independência,          o          caso     das      personagens   do        livro     O         Ministro.         Enquanto           Tamoda          está     aquém do        poder, Toni     e          Kuteku,            personagens   deste           último livro,    exercemno     e,         pela     crítica  subjacente,     não      no        melhor           sentido.           Xitu      serve-se,         aliás,   destas 

Os          Valores   do            Nacionalismo         e              Patriotismo            para        uma        Angola    Moderna              

           

personagens   para    criticar,           como   adiante           veremos          com     mais    pormenor,      o           alheamento    a          que      foram  votados,          pelos   novos   governantes,   o          mundo           tradicional      e          os        poderes           locais. 

12.  Se        Pepetela,        Manuel           Rui,      Arnaldo           Santos,            com     textos  como   O            cão      e          os        caluandas       (1985),            Quem  me       dera    ser       onda    (1984) e            Na       M’banza          do        Miranda          (1984) deram corpo   ao        que      se        poderá            designar          por      sátira   social   (Venâncio       1992),  O         Ministro          vai       mais            longe,  enveredando  por      uma     crítica  de        cariz    político.           Não     o          faz       de            forma  tão       contundente   como   Manuel           dos      Santos Lima    o          fizera   no            seu      romance         Anões  e          mendigos        (1984).            Diferentemente         deste,            Uanhenga       Xitu      não      põe,     na        verdade,         em       causa   a          via       política            escolhida        pelo     MPLA  (Movimento    Popular           de        Libertação      de        Angola)            para    a          consolidação   da        sociedade       civil     e          a          criação            da            nação  e          muito  menos a          figura  de        Agostinho        Neto,   que      aprendeu        a            admirar          desde  os        tempos            em       que      ambos residiam         no        internato            da        Igreja  Metodista       em       Luanda.           Contudo,         é          crítico, denunciando            erros   de        percurso.        E          fá-lo    a          partir   de        uma     instância         de            legitimação    herdada          precisamente desse   mundo tradicional.     Dele    transpõe            para    as        vivências         modernas       rituais  de        poder  e          de        comportamento,            posicionando-se,        em       consonância,   como   o          “mais-velho”, a          quem,  pela            idade   e          pela     sabedoria,       é          permitida        a          advertência    e          a            crítica. E          fá-lo    com     coragem         e          contra preceitos         e          formalismos            políticos,         mas     também          literários,        como   acontece         no        capítulo           do            livro     O         Ministro          dedicado         à          figura  do        cónego            Joaquim            Manuel           das      Neves, onde,   a          dada    altura, o          autor,  enquanto        sujeito            físico,  interrompe     a          narração         para    advertir:          “Atenção         que      neste            momento        sou      escritor”         (p.        249).   

           

13.  Tal       escritor,          tal        político.           É          com     a          mesma            irreverência    que      se            tem     posicionado    no        mundo da        política.           Pertence         à          primeira            geração          de        nacionalistas   africanos,        ou        seja,    à          geração          que            começou         a          manifestar-se nos      anos    30        e          40        do        século  passado            um       pouco  por      toda     a          África  e          em       Angola também.         Começou            por      integrar          e          dirigir, citando            Edmundo        Rocha 

(2009: 110),    o          Grupo  dos      Enfermeiros,   em       representação            do        qual     se           deslocou         a          Léopoldville,   em       Dezembro       de        1958,   com     o          propósito           de        (…)       “alargar          o          eixo     da        clandestinidade”        (…).      Encontrou-se  aí           com     Armando         Ferreira          da        Conceição,      Inocência        Van-Dúnem,   António           Josias   e          Barros Necaca,           então   líderes da        UPNA   (União dos      Povos   do           Norte   de        Angola),          antecessora    da        UPA.    Holden            Roberto,          que      se           veio     a          tornar  o          líder   

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máximo          da        organização,   encontrava-se,           na        altura, em       Accra,  capital do           Gana,  para    participar,       a          convite            de        Kwame            Nkrumah,        na        I           Conferência    dos      Povos   Africanos.      

14.  Enquanto        militante         do        MPLA, foi        membro          do        seu      Comité            Central,            quer    na        condição         de        efectivo,          quer    de        suplente,         numa            alternância,    senão  instabilidade,  a          que      certamente     não      foi        alheio  o            seu      espírito           crítico. O         mesmo            que      o          levara  à          prisão  em            1959,   transferido      depois,            em       1962,   para    o          Campo            de            Concentração do        Tarrafal,         então   reaberto         para    aprisionar       os            nacionalistas   das      colónias.         Permanece     preso   até       1970.  

15.  Após    a          independência,           em       1975,   foi        nomeado        Ministro          da        Saúde  do            primeiro         governo          angolano         presidido         pelo     antigo  colega do        internato            de        Luanda,           Agostinho        Neto,   Comissário      Provincial        de        Luanda            e            Embaixador    Extraordinário            e          Plenipotenciário         na        República            Democrática   Alemã,            assistindo        simultaneamente       a          Polónia            e          a            Checoslováquia,         cargo   que      ocupava          quando            nos      encontrámos  em            Frankfurt         e          no        exercício         do        qual     tive      a          oportunidade  de            assistir a          dois     ou        três      actos,  onde    pude    verificar          o          seu      à-vontade           na        arte     da        diplomacia.     Recordo-me    particularmente         do        momento            em       que      recebeu          a          visita   de        Johannes         Rau,     Ministro-Presidente   do            Estado Federado        da        Renânia          do        Norte   -           Vestefália,      que,     de            helicóptero,    se        deslocou         propositadamente      a          Frankfurt         para    aquele            encontro.                   

Agostinho       Mendes           de        Carvalho,        então   representante de        um       país           mergulhado    numa   sangrenta       guerra civil,    em       muito  causada          por           interesses       alheios            aos      angolanos,      recebeu          Johannes         Rau      com     a           dignidade        de        um       “mais-velho”, de        alguém           que      trazia   atrás    de        si           a          história           de        um       povo,   a          memória         de        todos   aqueles           que,     em       diferentes       palcos, durante           anos    e          anos    lutaram           pela           dignidade        roubada          ao        homem           negro.            

E          esta     conquista,       porque            de        facto    é          disso    que      se        trata,   pode,           numa   primeira         abordagem,    parecer           de        somenos         importância,   mas     a           verdade          é          que,     trazendo         de        volta    a          dignidade        do        homem           negro, contribuiu       igualmente     para    a          dignificação    da        própria           humanidade.  Parafraseando            um       argumento      de        Amílcar           Cabral (1974:           138),    ninguém         é          verdadeiramente       digno   desconsiderando        o          seu           semelhante.   

16.  Agostinho        Mendes           de        Carvalho,        que      também          fora     deputado        na            Assembleia     do        Povo,   termina           a          carreira          política            como   deputado            à          Assembleia     Nacional,        em       cujo     areópago,       uma     vez       mais,   pôde            dar      azo      ao        seu      sentido            crítico. São      várias  as        intervenções   que,            pela     justeza de        princípios        defendidos      e          pela     oportunidade  da        sua            formulação,    ficaram           na       

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memória        dos      angolanos.      Este     foi,       provavelmente,          o          palco   de        actuação           da        sua      multifacetada carreira          política            que      mais    o          popularizou,           que      o          mesmo            será     dizer,   o          transformou   na        referência       nacional           que      hoje     é,         o          detentor          de        uma     voz       insubmissa      em       prol     da           democracia    e          do        bem-estar       de        todos. 

17.  Em       boa      hora    a          Universidade  Metodista       de        Angola se        lembrou          de        o            homenagear,  atribuindo-lhe o          título   de        Doutor Honoris           Causa. Homenageia-o            pelo     lugar   cimeiro           que      ocupa  na        cultura            e          na        política            angolanas,      mas     também          –          subentendo     eu        –          pela     sua      ligação            à          Igreja  Metodista,      a          entidade         tutora  desta   universidade. 

18.  É          inquestionável            o          importante     contributo       da        acção  missionária     e            evangelizadora           metodista       para    o          desenvolvimento        do        ensino formal            em       Angola,           para    a          formação        da        cultura            angolana,            preparando     intelectualmente        muitos dos      que      assumiram,     em       termos            políticos,         os        destinos          do        país,    como   é          o          caso     do        nosso            homenageado.                      

Lembremo-nos,          para    tanto,  do        papel   cultural           e          formativo        desempenhado           pelo     jornal  O         Estandarte,     órgão  e          propriedade    da        Associação      Centros           Evangélicos     Angolanos       e          dos      estudos           de        um       dos      seus           missionários,  suíço    de        origem,           mas     integrando      a          primeira           delegação       de        missionários   metodistas      que      aportaram      a          Angola,           dirigidos,         então,  pelo     Bispo   William           Taylor. Refiro-me       ao        filólogo           e           folclorista       Héli     Chatelain,       estudioso        da        língua  kimbundu,       autor   de           uma     gramática       deste   idioma,           assim   como   também          de        uma     recolha           de        literatura        oral     Folktales         of         Angola (1894) [Contos           populares        de           Angola],          cuja     sistematização           e          classificação   por      géneros,          porque           profunda         e          aturada,          ainda   hoje     é          referenciada.            

           

Mário  António           Fernandes       de        Oliveira,          brilhante         ensaísta          e          poeta           angolano,        chamou           a          atenção           da        comunidade    [internacional]           de           estudiosos       da        literatura        angolana,        primeiro         num     artigo  publicado        na           revista Angolê:           Artes   e          Letras  nos      idos     de        80,       e          ,           mais           tarde,  na        sua      tese     de        doutoramento            (1997:  295      e          segs.),  para    o           facto    de        que      a          esperança,      transversal      e          recorrente,     na        poesia de           Agostinho        Neto,   o          poeta   daSagrada      Esperança       (1974),            era,     na           verdade,         uma     dádiva do        evangelismo   metodista.     

19.  “Há      uma     linha    directa            –          escreve           –          entre   a          fé         evangélica      do            pai       (refere-se       ao        reverendo       Agostinho        Pedro  Neto)   e          do        filho,            uma     energia           na        crença que      se        prolonga         de        um       a          outro   e            que      se        vai       desenvolver    de        forma  a          que,     perante           os        poemas            que      Agostinho        Neto    virá      a         

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escrever,        um       dos      traços  mais    salientes         continuará      a          ser       esse     mesmo           evangelismo,  trave   mestra            da        sua      formação        cultural”         (1997:  304).   

20.  O         posicionamento          do        político            Agostinho        Mendes           de        Carvalho            em       relação           aos      valores            e          à          mundividência            tradicionais,            nem     sempre           tidos    em       consideração  pela     governação     póscolonial,    como            ele       próprio            várias  vezes   criticou,          não      terá,    deste   modo,  apenas            a            ver       com     a          singularidade  da        sua      história           de        vida,    que      regista            uma     iniciação         social   feita    ainda   nos      moldes            tradicionais.    Pesará            igualmente     nessa   postura           a          sua      educação        metodista,      cuja     ética,            decorrendo     do        que      foi        e          tem     sido     a          prática            deste   grupo            religioso          em       Angola,           se        tem     pautado          por      dar      voz       a            quem   a          não      tem,    i.e.,      a          todos   aqueles           que      vivem  o          seu            dia-adia          à          margem          dos      poderes           constituídos    e          dos      seus            circuitos          de        influência.      

21.  Hoje    em       dia,      as        Humanidades e          as        Ciências          Sociais tendem           a            ser       relegadas        para    planos secundários    nos      diferentes       sistemas            universitários  do        mundo,           com     particular        incidência       –          diga-se!           –            nos      do        Ocidente.        O         neo-liberalismo          e          o          utilitarismo,            expressões      de        um       sistema,          o          capitalista,      são,     na        voz       e          na            acção  dos      seus     defensores,     os        primeiros        responsáveis   por      essa            secundarização.         Têm     levado ao        extremo          a          despersonalização      do            indivíduo,        a          chamada         mercadorização         da        vida,    consequências            do            capitalismo     previstas         por      Marx,  nomeadamente          aquando          da            (re)formulação           do        conceito          de        alienação,       e          aprofundadas pelos            neo-marxistas,           mormente      por      Jürgen Habermas,      no        que      designa            por      colonização     do        mundo da        vida.    O         sistema           capitalista,      neste            seu      desiderato,     elege   o          mercado         e          as        suas     leis,     assim   como            um       fenómeno       que      lhe       é          intrínseco,       o          consumismo,  como   factores            exclusivos       (ou       quase) da        regulação       das      sociedades,     pelo     que      as            Humanidades e          as        Ciências          Sociais se        tornam,           a          seus     olhos,            supérfluas.                 

Não     sei       por      quanto tempo mais    este     paradigma      condicionará   o          nosso   destino;           aventar           um       desfecho         para    este     tempo de        incerteza         e          de           ufanismo         político            liberal é          tarefa  ingrata            porque            tais           desfechos        normalmente fogem àcondicionada            racionalidade da        Ciência            e           das      Ciências          Sociais,            em       particular,       e          que,     por      isso      mesmo,           tanto   têm     de        imprevisto,     como   de        perigosos.      

22.  Mas     porque            não      podemos         ficar    de        braços cruzados,        saúdo, ao        finalizar            esta     Laudatio,         a          Universidade  Metodista       de        Angola pela     homenagem            que      presta  a          um       homem           que      é          de        cultura,           um       homem            de        letras,  um       político            que      acredita          que      o          diálogo            é          a            melhor            forma  de        exercer           o          poder. E,         nessa   sua      crença,            nada    mais    faz       do        que      seguir  a          prática            do       

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exercício         do        poder  nas      sociedades      tradicionais,    onde,   segundo          o          que      a           Antropologia   nos      tem     ensinado         e          que      está     em       claro    contraste           com     muitas práticas           políticas          da        África  moderna,        raramente      um           chefe   decide sozinho.           Tem     sempre           um       conselho         a          coadjuvá-lo.   

23.  Minhas            senhoras         e          meus   senhores,        prezados         colegas,          estas    foram  as            palavras          que      achei   por      bem     pronunciar      em       homenagem   a          alguém            que      muito  admiro,           a          quem   muito  devo    e          que      considero        um            grande            amigo. Muito   obrigado             por         me         terem   ouvido.               


Fonte: Fund. Uanhenga Xitu

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